A Noruega, como sociedade de organização utilitarista, atribui a seus cidadãos o papel de instrumentos do progresso, e assim lhes garante o necessário para que exerçam suas funções sociais. Ignorando a essência humana, separa o inseparável: a ação física, da vontade interior. O fazer, da arte humana. O estar, do ser. O criar, da imaginação. O nutrido e sustentado, daquilo que o nutre e sustenta. Diante dos olhos, nos parece uma ponte interrompida, mas sob as águas, essa conexão se mantém tão firme e prevalente quanto antes.

Essa desconexão aparente faz com que todos nós suprimamos e enterremos nossa expressão mais natural nas águas que continuam a correr sob a ponte, e no mais profundo de nós. Ela se expressa na forma de angústia, depressão, impotência, rigidez, desafeto, medo, ódio, julgamento, controle, conflito. Seus cidadãos constróem lindos castelos de areia a beira do mar, e torcem para que a maré nunca suba o suficiente para leva-los de volta às profundezas do mar.
O ser humano não é somente instrumento de progresso. Somos, sobretudo, agentes de evolução. Progresso sem evolução humana é como equipar um Bugatti Chiron com o motor 1.4/1.6 FSI da VW. A aparência é imponente, mas o conteúdo é defeituoso e de alto custo. A decisão por eliminar tudo aquilo que não produz retorno econômico imediato tem alto custo humano.
A Noruega experiencia hoje uma geração de jovens incapazes de mover a economia. Porque estão incapazes de mover a si mesmos. Seus corpos inertes, como instrumentos, são perfeitos e aptos. Mas a inanição silenciosa que experienciam os esvazia de sentido e vontade. Suas almas estão famintas. Famintas por arte, famintas por sua expressão visceralmente humana. Aqueles que são encorajados a se conectar a sua própria expressão através das artes tem menos dificuldade de conectar-se a sua essência. E conectando-se a sua essência, enfrentam a resistência dos demais. São muitas vezes relegados ao ostracismo, aos julgamentos sentidos, verbalizados ou pensados pelos outros.

A busca incessante por igualdade ignora a busca por equidade. A igualdade não admite espaço para a diferença e a expansão. Ela restringe e constringe. A equidade é generosa e maleável. Ela garante espaço para o que naturalmente é, garantindo assim espaço para sua expansão. Ela acomoda porque é justa. Os esforços constantes pela criação e manutenção de sociedades homogêneas é o que nos mantém amarrados ao ciclo infinito da repetição de erros já identificados e reconhecidos.
Por tanto tempo quanto não reconhecermos a unidade na diferença, estaremos ilhados buscando soluções efêmeras no outro e no mundo ao nosso redor. Por tanto tempo quanto buscarmos igualdade, ignoraremos nossa própria essência e potencial expansivo individual, e cercearemos a essência e potencial expansivo do outro. Se agimos com equidade para conosco, a equidade naturalmente se reflete no outro e no mundo ao nosso redor. A equidade, na forma de espaço maleável para o ser de cada um, é o que possibilita a evolução humana, para além do seu mero progresso.
«Quando se interage, são dois que querem se tornar quatro. Quando se fala, infelizmente pelos apegos do ego, são dois que querem se tornar um. Mas pela destruição da verdade do outro.»
Amor e luz, Time TAW






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